HR Top Voices: Julieta Valerga

HR Top Voices
Tem gente de RH que fala em transformar a área. E tem gente que faz.
HR Top Voices é a série da Desky onde a gente passa o microfone para os segundos. Cada texto é uma conversa real com um líder de Recursos Humanos que está navegando os mesmos desafios que você: times distribuídos, pressão para ser mais estratégico, tecnologia que promete muito e entrega pouco, e aquela pergunta de sempre sobre como fazer mais com menos.
Não buscamos cases de sucesso perfeitos. Buscamos olhares honestos. Aqueles que te fazem pensar "isso acontece comigo também" e que te dão vontade de fazer algo diferente amanhã.
Esta edição: Julieta Valerga, Business Services Manager (Talent, Administration & Operations Manager) na Black Puma
Parar de apagar incêndios para começar a preveni-los
Se você já sentiu que RH tem mais potencial do que o resto da organização deixa ele mostrar, Julieta Valerga pensou nisso antes de você. E fez.
Hoje é Business Services Manager na Black Puma, com foco em Talent, Administração e Operações e reporta direto ao CEO. Mas a parte que mais importa não é o cargo. É o que ela fez para chegar lá: criou do zero uma área que não existia, porque entendeu que dados isolados não servem. E que RH pode (e deveria) ser a área que mais clareza traz quando há decisões difíceis sobre a mesa.
A gente conversou com ela. Isso é o que ela nos disse.
"Dados sobram. O que falta é integração."
Julieta não fala de data-driven HR como conceito. Ela operacionaliza.
"Ter dados não é suficiente. O importante é integrá-los com uma visão sistêmica que permita priorizar, antecipar e decidir com critério."
A diferença entre um relatório de RH e uma conversa de impacto com o C-Level? Contexto. Quando a informação chega integrada, não como métricas da área mas como evidência de negócio, a conversa muda. Deixa-se de falar de pessoas no abstrato e começa-se a falar de cenários, consequências e ROI.
E isso, numa sala de diretores, é tudo.
Criou uma área do zero. Aqui está o porquê.
Quando Julieta propôs criar a área de Business Services na Black Puma, não foi para somar um setor a mais no organograma. Foi porque ela viu algo que os outros não estavam vendo: que os dados das áreas não técnicas (finanças, operações, pessoas) contavam a mesma história mas de ângulos diferentes, e que ninguém estava integrando eles.
"Ao processar a informação em conjunto, fica possível antecipar cenários e contribuir com maior clareza na tomada de decisões", explica.
Simples em teoria. Complexo de executar. Mas Julieta fez mesmo assim.
O que RH deveria parar de fazer (já)
A gente perguntou o que ela diria para um líder de RH ganhar tempo estratégico. Ela não pensou duas vezes:
"Que deixe de gastar energia em tarefas operacionais que podem ser automatizadas e comece a redesenhar o papel da área com apoio em tecnologia e IA."
Não é eficiência pela eficiência. É liberar capacidade mental para fazer o que realmente agrega valor: ouvir o negócio, antecipar necessidades, acompanhar decisões.
Quem fica aprovando cada reserva na mão, validando acessos, respondendo as mesmas perguntas no Slack uma e outra vez não está sendo cuidadoso. Está sendo lento. E essa lentidão tem custo.
Onde se perde dinheiro de forma invisível
"Em processos mal desenhados, reprocessos e decisões que são tomadas sem informação completa."
Isso respondeu quando a gente perguntou onde as organizações sangram sem perceber. E é brutal na sua precisão, porque nomeia o que todos intuem mas poucos medem: os tempos duplicados, as responsabilidades que ninguém assume, os critérios que não estão escritos em lugar nenhum.
"O invisível não é que não exista, mas que nem sempre se traduz em indicadores que o tornem evidente."
Tem organização gastando uma fortuna em ineficiências que não aparecem em nenhum dashboard. Julieta diz que o trabalho de RH é, entre outras coisas, torná-las visíveis.
IA em RH: Integrador na cultura
"A tecnologia soma quando resolve uma fricção real do processo e libera tempo para tarefas de maior valor estratégico. Distrai quando é incorporada por moda ou por pressão externa."
O critério para decidir o que automatizar? Avaliar se melhora eficiência, reduz erros ou traz informação útil para decidir. Se só agrega complexidade, provavelmente não vale.
E sobre o papel de RH na adoção de IA dentro das organizações: não guardião, não facilitador. Integrador. Que acompanhe a mudança cultural, que construa o marco, que combine inovação com critério e responsabilidade.
O que RH deveria medir em 2026 (e quase ninguém está medindo)
A resposta dela surpreende pela precisão:
A capacidade adaptativa da organização.
Não a implementação de mudanças, mas o nível real de adesão, compreensão e apropriação dessas mudanças por parte dos times. A velocidade com que uma empresa incorpora novas tecnologias. Como convivem distintas gerações frente ao avanço.
"A resistência silenciosa, a falta de entendimento ou a sobrecarga mal gerenciada podem atrasar objetivos estratégicos sem que seja evidente."
Medir adaptação não é só um tema cultural. É uma variável de competitividade.
Uma última pergunta. A mais humana.
A gente perguntou o que ela diria para a versão dela mesma de três anos atrás, antes de propor a área.
"Que confie um pouco mais em si mesma. Que as coisas vão dar certo. Que não sofra tanto pensando em 20 cenários diferentes, muitos dos quais nem chegam a acontecer. Que desfrute mais o processo e, sobretudo, que também reserve tempo para valorar as conquistas."
Tem líder de RH lendo isso agora mesmo que precisava ouvir exatamente isso.
Para quem gere times remotos e ainda lida com múltiplos provedores de espaços
Julieta trabalha em uma empresa 100% remota. E quando a gente perguntou o que Desky resolve no dia a dia dela, ela foi direta:
"Desky nos ajuda a organizar e dar rastreabilidade a um benefício que, se não for gerenciado com clareza, pode gerar desvios invisíveis no orçamento e no acompanhamento. Centralizar a informação de coworking permite estabelecer limites, monitorar uso e tomar decisões com dados concretos ao invés de suposições."
E acrescentou algo que vale a pena guardar: "Uma ferramenta soma quando combina eficiência operacional com uma experiência humana próxima e resolutiva. Nesse equilíbrio é onde encontro valor na Desky."
Se você gere espaços para um time distribuído em mais de uma cidade, faz sentido conhecer como funciona.
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Julieta Valerga é Business Services Manager (Talent, Administration & Operations) na Black Puma. Especialista em People Analytics e IA aplicada a RH, com foco em integrar pessoas, dados e negócio para tomar melhores decisões estratégicas.
Publicado pelo time da Desky — Março 2026