O que fazer quando seu time não quer mais voltar ao escritório?

Desky
4 de mayo de 2026
3 min de lectura
O que fazer quando seu time não quer mais voltar ao escritório?
Muitas empresas enfrentam resistência ao retorno ao escritório. Contamos como ouvir, se adaptar e redesenhar um modelo que funcione para todos.

Voltar para o escritório deixou de ser um passo automático.

Em setores como tecnologia, serviços, design, marketing ou produto, cada vez mais equipes não veem valor em ir a um espaço físico todos os dias. E quando as empresas tentam forçar o retorno, os efeitos costumam ser caros: rotação de talentos, desmotivação, absenteísmo silencioso.

A pergunta que muitas companhias se fazem hoje é: se meu time não quer voltar, o que faço? Ignorar o sinal e forçar o retorno pode danificar a cultura. Mas também não se trata de eliminar o escritório de uma hora para a outra. A chave está em redefinir o papel do espaço de trabalho.

1. Ouça de verdade

O erro mais comum é decidir da liderança sem perguntar a quem mais importa: o time.

Antes de impor políticas, faça perguntas concretas:

  • O que sentem falta no escritório?
  • O que gostariam de ter em um modelo ideal?
  • Quais condições fazem com que a presencialidade valha a pena?

Muitas vezes o "não quero voltar" não é uma rejeição absoluta ao espaço físico. É uma rejeição à rigidez. Ouvir de verdade pode revelar que o que as pessoas buscam não é trabalhar sempre de casa, mas ter a liberdade de escolher.

De acordo com estudos da PageGroup e WeWork, 54% dos trabalhadores latino-americanos preferem esquemas híbridos com 1 ou 2 dias de presencialidade.

2. Redefina o escritório como uma ferramenta, não como uma obrigação

O escritório não precisa desaparecer, mas também não pode continuar sendo um símbolo de controle.

Nos modelos de trabalho atuais, seu valor está em:

  • Encontros estratégicos (planejamento, decisões-chave).
  • Colaboração criativa (brainstorm, dinâmicas em grupo).
  • Cultura e conexão (espaços para reforçar identidade e valores).

Se a presencialidade não agrega valor concreto, forçá-la desgasta mais do que constrói.

3. Ofereça alternativas intermediárias

Não é um dilema binário entre 100% remoto e 100% presencial. Existem opções intermediárias que equilibram produtividade, conexão e custos:

  • Dias rotativos de encontro em coworkings. Mais dinâmicos e menos rígidos que um escritório fixo.
  • Encontros mensais ou trimestrais. Usar o espaço presencial como ritual de conexão estratégica.
  • Orçamento individual para trabalhar de onde render melhor. Pode ser um coworking perto de casa, uma cafeteria tranquila ou até outra cidade.

Essas alternativas são mais atrativas porque respeitam o tempo das pessoas e mantêm a flexibilidade.

4. Meça o impacto real

Muitos líderes ainda usam métricas equivocadas: número de dias no escritório, quantidade de horas em frente à mesa, etc.

Na nova normalidade, as métricas que importam são outras:

  • Produtividade medida por resultados, não por presença.
  • Motivação do time. Pesquisas rápidas, feedback constante.
  • Rotação e retenção. As políticas ajudam a manter o talento?
  • Eficiência operacional. Os custos do escritório estão alinhados com o uso real?

O futuro não é 100% remoto nem 100% presencial. O futuro é desenhado.

Quando os times sentem que seu tempo e energia são respeitados, a motivação sobe, a produtividade melhora e a cultura se fortalece.

O papel das empresas não é impor um lugar único, mas dar propósito a cada espaço de trabalho:

  • O lar para a concentração.
  • O coworking para a colaboração.
  • O escritório para a estratégia e a cultura.

Nesse design flexível está a chave para construir times sustentáveis ao longo do tempo.